Quando criei este espaço tinha um objetivo muito específico: falar desse nosso maluco universo, dessa miscelânia de sentimentos que nos confunde a cada instante, através de personagens fictícios que poderiam muito bem ser cada uma de nós. Sim, porque cada uma de nós carrega nem que seja uma gota de tudo o que há de bom e ruim nesse universo. Somos ciumentas, rancorosas, invejosas, preguiçosas, vaidosas, egoístas, mas justiça seja feita: somos os seres mais amáveis do mundo. Somos capazes de perdoar, ajudar e fazer sempre o melhor. Por isso, não há como falar em mulheres perfeitas, apesar dessa ser a nossa quimérica presunção. Por tanto tempo fiquei vagando num espaço buscando certas respostas que contemplassem as minhas loucas elucubrações sobre esse famigerado "universo feminino". Olhava para mim, olhava para as outras. Buscava achar as semelhanças e as diferenças. Buscava entender por que certo comportamento me irritava em um indíduo desta minha espécie. E a cada momento achava que eu estava um passo a frente na linha da evolução. Confesso que ainda penso assim. Mas sou cautelosa, e tenho em mente que ainda estou longe do que poderia ser considerado o apogeu da espécie. No entanto me dói ainda ver que certos individuos parecem estar no inicio desta escala evolutiva. Ainda me dói ver certas mulheres não se valorizarem. Algumas acham que a vida é feita apenas de casamento, filhos e flor bonita no vaso da mesa de estar. Outras numa ânsia vontade de serem livres e modernas, vulgarizam-se, transformando-se em "objetos descartáveis". Estamos no século XXI, mas muitas de nós ainda estamos na caverna, de costas para a luz. Poucas conseguiram sair da caverna. Algumas pagaram caro pela audácia. Mas estas nos abriram o caminho. E se hoje a caverna anda mais clara, foi graças as brechas que estas abriram. Porém, muitas de nós não saem porque não querem. Têm medo de quebrar as unhas. Talvez não saibam que já existem esmaltes fortificantes. Talvez não saibam que podemos sim, ser lindas e femininas e poderosíssimas e bem-resolvidas. Talvez não saibam que melhor que ser perfeita, é ser HIPER-FEITA!!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
Conselhos Alheios
MULHERES QUE NÃO SE AMAM DEMAISPor Gisela Rao
Bem, escolhi o tema aí de cima porque tenho ouvido muito falar sobre "Mulheres que Amam Demais" nas revistas, na tv, nas novelas, etc. E porque me dói muito ver uma de nós sofrendo tanto por "amor" (ou por qualquer motivo que seja). Já fui uma mulher que amava demais. Sofri para diabo e todo mundo, até minha professora de inglês, dizia que eu tinha que me amar mais. Essa frase, na época, me parecia tão sem sentido quanto dizer para um alcoólatra que ele deveria tomar suco de cupuaçu no lugar de uísque.
Namorei homens que, simplesmente, me massacraram psicologicamente. Homens que me rejeitaram, que me trataram indiferentemente e que fizeram com que eu me sentisse pior do que um suco de tomate em lata. Há um provérbio árabe que diz: "A culpa é do morto e não do assassino". E, concordo que, se eu passei por tudo isso, a culpa foi minha por ter deixado. Quem me tirou dessa? Anos de terapia, claro, que me fizeram desistir de querer arranjar um clone do meu pai. Bem, meu pai até que tenta se esforçar, mas é um desses caras frios, que não fazem a menor questão de um carinho ou coisa parecida. Ok, vamos chamá-lo de rejeitador... Demorou muitos anos pra que eu conseguisse me desvencilhar desse "modelo" masculino e pudesse ter um cara legal ao meu lado (ok, ninguém é perfeito: ele vive comprando tabletões de chocolate Nestlé no auge do meu regime de pontos).
A terapia também fez com que eu me gostasse mais, o suficiente para mandar, hoje em dia, pros quintos do inferno uma pessoa que não me trate com o devido valor.Não é fácil mesmo amar, porque, geralmente, ninguém nos ensina lá muito bem essa arte. Estamos sempre confundindo amor com paixão e vivemos nos descabelando e nos sacrificando demais em nome do "amor". Mulheres são mais suscetíveis a essa entrega exagerada. Uma vez, assisti uma cena no filme "Blade, o vampiro" onde a mocinha dava, literalmente, seu pescoço para o namorado (vampiro!) ficar mais forte. É claro que ele não ficou com ela no final do filme.Sempre falo para minhas amigas que amam demais: "Arrumem outra paixão! Um hobbie, uma dança, uma coleção de borboletas... Coisas que farão com que vocês vejam que a vida não é só relacionamento".
Gostaria de aproveitar essa coluna para transcrever um trecho de um texto que recebi pela internet mas, que, infelizmente não sei de quem é: "A maior diferença entre a paixão e o amor é que a paixão escraviza e o amor liberta, o que parece contraditório, pois geralmente nos apaixonamos quando estamos livres e começamos a amar depois de comprometidos. A paixão escraviza porque te torna refém do telefone, do correio e demais sinais sonoros e visuais de reciprocidade. O amor liberta porque tem certeza do sentimento do outro, e se não tem, ao menos tem certeza do próprio sentimento, e isso faz com que a gente gaste o nosso precioso tempo pensando em outras coisas igualmente importantes, como trabalho, viagens, leituras e amigos. A paixão escraviza porque te faz planejar cada frase dita e cada decote escolhido.O amor liberta porque é raro, exige intimidades maiores do que ficar juntos apenas numa festa, exige cumplicidade e dedicação, e como nem todos estão a fim deste esforço, passam batidos por aquele ou aquela que poderia ser o amor eterno deles, mas que é todo seu.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Os presentes de Alice*
Alice. Mulherão essa Alice. E vivia querendo coisas:
- Compra um apartamento pra mim, bem?
Eu comprava. Porque ela, sorrindo, isso não tinha preço.
Alice era dada a excentricidades. Poucas, mas ainda assim:
- Compra a lua pra mim, bem?
Eu comprava. E colocava um punhado de estrelas no papel de presente.
Vez ou outra ela emburrava. Não de ficar burra, que ela nunca foi assim, mas emburrar de entristecer, vocês me entendem? Eu fazia caretas, alugava elefantes, tudo pra ela melhorar. Mas ela só melhorava daquele jeito:
- Compra o charme da Gisele Bündechen pra mim?
Eu comprava. Um exagero, concordo, Alice era charmosa o suficiente, mas fazer o quê?
Alice também era uma mulher de muito bom gosto. Sabia apreciar as coisas boas da vida, as belas coisas.
- Compra um Picasso, um Van Gogh e um Warhol pra mim, bem?
Eclética como vocês puderam perceber. E eu, é claro, comprava.
Um dia Alice foi ao cinema e viu uma sereia no filme. Voltou da sessão radiante. E pediu:
- Eu quero uma sereia, bem!
Parti no dia seguinte numa expedição em busca da tal sereia. Fui encontrá-la 30 dias depois no mar gelado da Finlândia.
Quando entreguei o presente a Alice, ela desatou a chorar. Eu perguntei:
- Não é a sereia que você quer?
- É a sereia que eu queria - ela disse. - Mas agora eu não quero mais.
- O que você quer agora?
Alice enxugou as lágrimas e um sorriso brotou no seu rostinho lindo:
- Agora eu quero uma caravela, bem! Uma caravelhinha!
Uma caravelhinha. Como as caravelas deixaram de ser fabricadas há muito tempo, mandei fazer. Ficou uma beleza. Mas Alice só desembrulhou o presente. Havia um brilho estranho em seus olhos.
- E agora, o que você quer? - eu perguntei. - Pede.
- Eu não quero nada, bem. Não quero nada.
Mas a quietude demorou pouco. Logo Alice estava pedindo de novo. E eu, pronto a atender. Quer dizer, mais ou menos.
- Bem, diz que me ama!
Esquisitice. Bem típico de uma mulher como ela. Não que o seu pedido fosse caro demais, longe disso. Não iria me custar um tostão. Mas eu senti que precisava manter a integridade:
- Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!
- Mitômano?
- É.
Ela me olhou com aquele olhar inteligente que só ela tem. E pediu:
- Me compra um dicionário, bem?
Depois disso Alice passou quatro anos deprimida, largadona, engordando no sofá francês do século XIX. Sem pedir nada.
Até que, numa bela manhã de carnaval, ela se levantou, emagreceu e pediu:
- Bem, eu quero amor!
Eu caminhei em direção a ela, dei-lhe um beijo demorado na testa e saí para a rua. Não voltei nunca mais. Seria muito doloroso explicar que tem coisas que o dinheiro não compra.
*Excepcionalmente estou publicando um texto que não é de minha autoria. Esta não é a proposta deste espaço. Mas o texto é tão audacioso que não pude resistir. O texto é de autoria de Cláudio Parreira.
- Compra um apartamento pra mim, bem?
Eu comprava. Porque ela, sorrindo, isso não tinha preço.
Alice era dada a excentricidades. Poucas, mas ainda assim:
- Compra a lua pra mim, bem?
Eu comprava. E colocava um punhado de estrelas no papel de presente.
Vez ou outra ela emburrava. Não de ficar burra, que ela nunca foi assim, mas emburrar de entristecer, vocês me entendem? Eu fazia caretas, alugava elefantes, tudo pra ela melhorar. Mas ela só melhorava daquele jeito:
- Compra o charme da Gisele Bündechen pra mim?
Eu comprava. Um exagero, concordo, Alice era charmosa o suficiente, mas fazer o quê?
Alice também era uma mulher de muito bom gosto. Sabia apreciar as coisas boas da vida, as belas coisas.
- Compra um Picasso, um Van Gogh e um Warhol pra mim, bem?
Eclética como vocês puderam perceber. E eu, é claro, comprava.
Um dia Alice foi ao cinema e viu uma sereia no filme. Voltou da sessão radiante. E pediu:
- Eu quero uma sereia, bem!
Parti no dia seguinte numa expedição em busca da tal sereia. Fui encontrá-la 30 dias depois no mar gelado da Finlândia.
Quando entreguei o presente a Alice, ela desatou a chorar. Eu perguntei:
- Não é a sereia que você quer?
- É a sereia que eu queria - ela disse. - Mas agora eu não quero mais.
- O que você quer agora?
Alice enxugou as lágrimas e um sorriso brotou no seu rostinho lindo:
- Agora eu quero uma caravela, bem! Uma caravelhinha!
Uma caravelhinha. Como as caravelas deixaram de ser fabricadas há muito tempo, mandei fazer. Ficou uma beleza. Mas Alice só desembrulhou o presente. Havia um brilho estranho em seus olhos.
- E agora, o que você quer? - eu perguntei. - Pede.
- Eu não quero nada, bem. Não quero nada.
Mas a quietude demorou pouco. Logo Alice estava pedindo de novo. E eu, pronto a atender. Quer dizer, mais ou menos.
- Bem, diz que me ama!
Esquisitice. Bem típico de uma mulher como ela. Não que o seu pedido fosse caro demais, longe disso. Não iria me custar um tostão. Mas eu senti que precisava manter a integridade:
- Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!
- Mitômano?
- É.
Ela me olhou com aquele olhar inteligente que só ela tem. E pediu:
- Me compra um dicionário, bem?
Depois disso Alice passou quatro anos deprimida, largadona, engordando no sofá francês do século XIX. Sem pedir nada.
Até que, numa bela manhã de carnaval, ela se levantou, emagreceu e pediu:
- Bem, eu quero amor!
Eu caminhei em direção a ela, dei-lhe um beijo demorado na testa e saí para a rua. Não voltei nunca mais. Seria muito doloroso explicar que tem coisas que o dinheiro não compra.
*Excepcionalmente estou publicando um texto que não é de minha autoria. Esta não é a proposta deste espaço. Mas o texto é tão audacioso que não pude resistir. O texto é de autoria de Cláudio Parreira.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O desafio
Mel sempre fora alguém muito adepta da filosofia do laissez faire, laissez passer. Nunca fora de muito esforço, de muitas preocupações. Era uma pessoa também muito ligada às tradições familiares. Por isso no final de ano era sempre a mesma coisa: ir à missa, troca de presentes, simpatias que iam do pular três ondas até o comer três uvas e guardar as três sementes na carteira como forma de garantir a prosperidade no ano que dava seus primeiros raios.
Porém, mal o ano estabelecia suas raízes tudo voltara a mais fatigante normalidade: a rotina do trabalho, as mesmas pessoas importunas de sempre, as mesmas reclamações, etc, etc, etc...E quando se via: lá se ia mais um ano, arrastando-se, e novamente, seguindo o mesmo ritual, o depósito de esperanças no ano posterior.
No entanto, no findar de mais um ano, Mel fora levada a fazer o seu tradicional balanço do ano que se despedia. O que tinha sido proveitoso e o que faltara melhorar. Porém, desta vez algo lhe fez atentar, refletir sobre os rumos que a sua vida tinha levado no decorrer daqueles anos. Embasbacada pensou:
- Puta que pariu, o que fiz da minha vida ao longo destes anos? E a resposta veio instantaneamente:
-Porra nenhuma. Deixei a vida passar como alguém que aprecia a paisagem da janela de um trem ao fazer uma longa viagem. Como uma mera espectadora, sempre passiva diante de tudo.
Naquele instante, o mundo veio à sua cabeça. Recordações da infância, dos bons momentos da juventude e de todos os bons momentos que passara ao lado da familia e dos amigos. Dos marcos de sua vida como o dia em que passou no vestibular, da emoção de pegar seu diploma no dia da formatura, entre tantas e tantas outras lembranças.
Mel estava batendo à porta dos 30 e ainda nem tinha um teto todo seu. Tinha um emprego medíocre na empresa do pai, o que lhe possibilitava gastar com suas miudezas sem maiores apertos. Possuía o mesmo grupo de amigos da época da faculdade e com estes era que desfrutava os seus momentos de lazer.
O sentimento de frustração lhe abatera naquele momento. Havia concluído, mal e porcamente, uma graduação em Administração de Empresas. E só. Quando adolescente, uma de suas maiores pretensões era chegar aos 30 como uma mulher bem sucedida profissionalmente.
Bastava. Estava disposta a mudar e resolvera fazer do novo ano um ano diferente, porque ela o faria diferente. Retomou seu curso de inglês, abandonado desde a adolescência; Buscou nos sites das mais variadas instituições os programas de pós-graduação, inclusive no exterior.
Passara o ano inteiro estudando. Reduziu as baladas. Diminuiu sua carga horária no trabalho e foi em frente. Ali estava plantando as sementes daquilo que esperara colher os frutos nos anos posteriores.
No final do ano, ingressou em um MBA em uma universidade no exterior. Passou dois anos fora. Voltou renovada, cheia de expectativas, de novas idéias.
Mel sabia que não iria parar por aí, que não era o fim. Era apenas a base para novos desafios. Mel certamente aprendera que a vida por si só não tem sentido. Somos nós que a colorimos com as vibrantes ou opacas cores que são as nossas escolhas e ações.
Porém, mal o ano estabelecia suas raízes tudo voltara a mais fatigante normalidade: a rotina do trabalho, as mesmas pessoas importunas de sempre, as mesmas reclamações, etc, etc, etc...E quando se via: lá se ia mais um ano, arrastando-se, e novamente, seguindo o mesmo ritual, o depósito de esperanças no ano posterior.
No entanto, no findar de mais um ano, Mel fora levada a fazer o seu tradicional balanço do ano que se despedia. O que tinha sido proveitoso e o que faltara melhorar. Porém, desta vez algo lhe fez atentar, refletir sobre os rumos que a sua vida tinha levado no decorrer daqueles anos. Embasbacada pensou:
- Puta que pariu, o que fiz da minha vida ao longo destes anos? E a resposta veio instantaneamente:
-Porra nenhuma. Deixei a vida passar como alguém que aprecia a paisagem da janela de um trem ao fazer uma longa viagem. Como uma mera espectadora, sempre passiva diante de tudo.
Naquele instante, o mundo veio à sua cabeça. Recordações da infância, dos bons momentos da juventude e de todos os bons momentos que passara ao lado da familia e dos amigos. Dos marcos de sua vida como o dia em que passou no vestibular, da emoção de pegar seu diploma no dia da formatura, entre tantas e tantas outras lembranças.
Mel estava batendo à porta dos 30 e ainda nem tinha um teto todo seu. Tinha um emprego medíocre na empresa do pai, o que lhe possibilitava gastar com suas miudezas sem maiores apertos. Possuía o mesmo grupo de amigos da época da faculdade e com estes era que desfrutava os seus momentos de lazer.
O sentimento de frustração lhe abatera naquele momento. Havia concluído, mal e porcamente, uma graduação em Administração de Empresas. E só. Quando adolescente, uma de suas maiores pretensões era chegar aos 30 como uma mulher bem sucedida profissionalmente.
Bastava. Estava disposta a mudar e resolvera fazer do novo ano um ano diferente, porque ela o faria diferente. Retomou seu curso de inglês, abandonado desde a adolescência; Buscou nos sites das mais variadas instituições os programas de pós-graduação, inclusive no exterior.
Passara o ano inteiro estudando. Reduziu as baladas. Diminuiu sua carga horária no trabalho e foi em frente. Ali estava plantando as sementes daquilo que esperara colher os frutos nos anos posteriores.
No final do ano, ingressou em um MBA em uma universidade no exterior. Passou dois anos fora. Voltou renovada, cheia de expectativas, de novas idéias.
Mel sabia que não iria parar por aí, que não era o fim. Era apenas a base para novos desafios. Mel certamente aprendera que a vida por si só não tem sentido. Somos nós que a colorimos com as vibrantes ou opacas cores que são as nossas escolhas e ações.
domingo, 21 de dezembro de 2008
A virada
Holly sempre foi de cultivar longos relacionamentos. Aliás, não foram muitos, apenas um. No começo, até era uma garota namoradeira, pegadora mesmo, daquelas de atitude. Porém, isso não passou de uma fase colegial. E já com 17 engatou seu primeiro namoro "sério" e desde então não largou mais.
Conhecera por intermédio da familia. Era um rapaz cinco anos mais velho, primo de uma amiga sua. Daí já viu. Viviam a se encontrar em qualquer evento familiar. Isso até virou uma desculpa. Ah, se os cantinhos da casa falassem...Pois bem. A euforia com o tempo foi cedendo e o clima rotineiro começou a ganhar espaço. Tudo faziam juntos até que chegou o momento que nada mais parecia ter graça. Ela que então acabara de completar a maioridade se sentia enfadada, como se estivesse perdendo um tempo bom e único da sua vida presa a um relacionamento que a impedia de viver as "boas" coisas da vida.
Evidentemente, ele também sentia o mesmo. Porém, como para homem as coisa as vezes parecem mais simples, este sempre dava um jeitinho de escapulir. Assistir o jogo com os amigos, o barzinho do final de semana e todas aquelas atividades masculinas que mulher odeia só de pensar.
Toda a monotonia conjugal acabou por tornar Holly o pilar do relacionamento. Se as coisa iam pior do que o convencional , ela sempre buscava uma maneira de amenizar as coisa para que tudo não desmoronasse de vez. Isso acabou por acostumá-lo mal, pois não o fazia tomar atitudes para melhorar a convivência e apenas a ir empurrando com a barriga.
A situação ia se arrastando a banho-maria quando ele conheceu Mariana. Garota boa pinta, jeitosinha, do tipo arrasa quarteirão. Deixou-o louco. Tão louco que não hesitou em pôr um fim ao relacionamento com Holly. Obviamente que ele não entrou com carrão de sena. Chegou com aquela conversinha mole de que precisava de um tempo para colocar algumas coisas em ordem, que um tempo seria bom para os dois, e demais lenga-lengas do gênero.
Para Holly era a gota d'água. Estava cansada daquela situação. E para espanto dele, ela aceitou com um ar quase natural de "é...é melhor mesmo". Afinal, eram quatro anos. E ela sentia a necessidade de respirar.
Não demorou nada e ela resolveu aproveitar o que tinha deixado passar e logo no primeiro dia tomou porre daqueles. Encheu a cara num misto de raiva e alívio. Raiva por sentir que tinha perdido um bom tempo em relacionamento sem futuro e alívio por ter tempo ainda para recomeçar e viver o que ainda não tinha vivido. Sair com as amigas, conhecer outros homens, viajar, badalar e tudo o mais que tivesse direito.
A atitude de Holly o tomou de supetão que o fez repensar sua decisão. Como poderia ela aceitar dessa forma, logo ela que sempre era quem corria atrás, a primeira a dizer que era necessário tentar mais uma vez, a não jogar uma história fora.
Percebeu que desta vez seria de vez. Iria perdê-la. E este sentimento o fez entrar em parafuso. Não conseguiu controlar o desejo de possuí-la novamente, saber e sentir que ela era dele, e só dele. E este sentimento egoísta, de posse, o fez tomar uma atitude. Talvez a primeira do decorrer de toda esta história: pediu-a em casamento. E pra já. Tão logo pudesse. Antes que ela pudesse tomar gosto pela vida de solteira. Ela claro, bancou a durona só para ter o gostinho de vê-lo implorar para que ela aceitasse. Mas é claro que era tudo o que ela mais queria.
No final das contas, Holly reverteu o jogo e se viu satisfeita com o resultado. Talvez nunca tivesse atentado para o imenso poder que as mulheres possuem de manipulação. E isso tornara-se perigoso, porque agora sabia que possuía a faca e o queijo na mão e como se sabe, num descuido, poderia vir a machucar-se, pois o feitiço sempre pode vir a virar-se contra o feiticeiro.
Conhecera por intermédio da familia. Era um rapaz cinco anos mais velho, primo de uma amiga sua. Daí já viu. Viviam a se encontrar em qualquer evento familiar. Isso até virou uma desculpa. Ah, se os cantinhos da casa falassem...Pois bem. A euforia com o tempo foi cedendo e o clima rotineiro começou a ganhar espaço. Tudo faziam juntos até que chegou o momento que nada mais parecia ter graça. Ela que então acabara de completar a maioridade se sentia enfadada, como se estivesse perdendo um tempo bom e único da sua vida presa a um relacionamento que a impedia de viver as "boas" coisas da vida.
Evidentemente, ele também sentia o mesmo. Porém, como para homem as coisa as vezes parecem mais simples, este sempre dava um jeitinho de escapulir. Assistir o jogo com os amigos, o barzinho do final de semana e todas aquelas atividades masculinas que mulher odeia só de pensar.
Toda a monotonia conjugal acabou por tornar Holly o pilar do relacionamento. Se as coisa iam pior do que o convencional , ela sempre buscava uma maneira de amenizar as coisa para que tudo não desmoronasse de vez. Isso acabou por acostumá-lo mal, pois não o fazia tomar atitudes para melhorar a convivência e apenas a ir empurrando com a barriga.
A situação ia se arrastando a banho-maria quando ele conheceu Mariana. Garota boa pinta, jeitosinha, do tipo arrasa quarteirão. Deixou-o louco. Tão louco que não hesitou em pôr um fim ao relacionamento com Holly. Obviamente que ele não entrou com carrão de sena. Chegou com aquela conversinha mole de que precisava de um tempo para colocar algumas coisas em ordem, que um tempo seria bom para os dois, e demais lenga-lengas do gênero.
Para Holly era a gota d'água. Estava cansada daquela situação. E para espanto dele, ela aceitou com um ar quase natural de "é...é melhor mesmo". Afinal, eram quatro anos. E ela sentia a necessidade de respirar.
Não demorou nada e ela resolveu aproveitar o que tinha deixado passar e logo no primeiro dia tomou porre daqueles. Encheu a cara num misto de raiva e alívio. Raiva por sentir que tinha perdido um bom tempo em relacionamento sem futuro e alívio por ter tempo ainda para recomeçar e viver o que ainda não tinha vivido. Sair com as amigas, conhecer outros homens, viajar, badalar e tudo o mais que tivesse direito.
A atitude de Holly o tomou de supetão que o fez repensar sua decisão. Como poderia ela aceitar dessa forma, logo ela que sempre era quem corria atrás, a primeira a dizer que era necessário tentar mais uma vez, a não jogar uma história fora.
Percebeu que desta vez seria de vez. Iria perdê-la. E este sentimento o fez entrar em parafuso. Não conseguiu controlar o desejo de possuí-la novamente, saber e sentir que ela era dele, e só dele. E este sentimento egoísta, de posse, o fez tomar uma atitude. Talvez a primeira do decorrer de toda esta história: pediu-a em casamento. E pra já. Tão logo pudesse. Antes que ela pudesse tomar gosto pela vida de solteira. Ela claro, bancou a durona só para ter o gostinho de vê-lo implorar para que ela aceitasse. Mas é claro que era tudo o que ela mais queria.
No final das contas, Holly reverteu o jogo e se viu satisfeita com o resultado. Talvez nunca tivesse atentado para o imenso poder que as mulheres possuem de manipulação. E isso tornara-se perigoso, porque agora sabia que possuía a faca e o queijo na mão e como se sabe, num descuido, poderia vir a machucar-se, pois o feitiço sempre pode vir a virar-se contra o feiticeiro.
terça-feira, 15 de julho de 2008
A farsa
Marjorie via-se perecer a cada ano que passava numa velocidade súbita. O viço da sua beleza cedia lugar a um constante ar de fadiga e até mesmo, doentio.
Havia pouco mais de dois anos de casada que mais pareciam 30.Toda a paixão fulminante do início havia se reduzido a quase pó. As loucuras, declarações davam lugar agora às súplicas, discussões cada vez mais constantes. Ela cobrava a atenção devida e ele chegara ao ponto de por vezes, detestá-la, por não suportar suas insistentes cobranças.
Odiava as chantagens dela, pois suas cobranças só colaboravam para diminuir o sentimento que ainda lhes restava por ela. Gostava dela, lhe tinha afeição, mas por que tem que ser tão insuportável? Pensava ele.
- Não vá, por favor. Fique comigo. Implorava ela.
- Me deixe em paz. Pensava ele.
Mas apesar de tudo, lhe faltava a coragem necessária para colocar um ponto final naquela relação que para ele, tinha se tornado um fardo. Tinha um sentimento de pena e no final das contas, não lhe queria mal.
O comodismo havia se instalado na vida daquele casal que no final das contas, pareciam não ter mais motivo algum para continuarem juntos. Ele, a qualquer momento arranjara desculpas para não permanecer em casa. Não tardou a começar a se interessar por outras mulheres, chegando cada vez mais tarde em casa. E Marjorie cada vez mais, afundava na amargura de seu inexorável destino.
Marjorie por vezes lamentava não dar aos seus sentimentos a expressão violenta que eles exigiam. Possuía um excepcional auto-controle, pois partia da idéia que somente mulheres de baixo calão faziam cenas e barracos.
No entanto, Marjorie era extremamente obcecada pelo marido. Não imaginava a vida longe daquele homem. O amor por ele superava o seu amor-próprio. Pensava que toda aquela situação passaria com o tempo; que se tratara de uma fase típica de casais; que o casamento não é feito apenas dos bons momentos e que o verdadeiro amor reside no fato de ter força para superar os momentos ruins; e outras lenga-lengas do gênero.
Chegara o aniversário de três anos de união. Ele obviamente não se lembrara. Mas ela não perdia a chance e a esperança de tentar reconquistá-lo, ou na melhor das hipóteses, comovê-lo.
Nesta noite os dois viveram um efêmero estado de intimidade. Um estado de relações repleta de uma singular falsidade.
Entretanto, o descaso dele falaria mais alto. Como não lembrara-se da data, já havia marcado um compromisso o qual não desmarcaria por conta da ocasião, deixando Marjorie sozinha no decorrer da noite.
Parecia o fim; a gota final; e Marjorie parecia realmente disposta a largar esta vida de amargura. Pegou uma mala e começou a jogar alguns pertences dentro. Mas no decorrer da arrumação pôs-se a pensar: Para onde iria? Como se sustentaria? Com quem contaria? Não possuia emprego, nem muitas experiências. Seus pais não moravam na cidade e também não poderiam ajudá-la naquele momento. Viu-se sozinha, num vácuo e pensou que já era ruim com ele, pior seria sem. Acabou por esvaziar a mala e a guardá-las novamente.
Voltou portanto, a representar a farsa que era o seu casamento.
Havia pouco mais de dois anos de casada que mais pareciam 30.Toda a paixão fulminante do início havia se reduzido a quase pó. As loucuras, declarações davam lugar agora às súplicas, discussões cada vez mais constantes. Ela cobrava a atenção devida e ele chegara ao ponto de por vezes, detestá-la, por não suportar suas insistentes cobranças.
Odiava as chantagens dela, pois suas cobranças só colaboravam para diminuir o sentimento que ainda lhes restava por ela. Gostava dela, lhe tinha afeição, mas por que tem que ser tão insuportável? Pensava ele.
- Não vá, por favor. Fique comigo. Implorava ela.
- Me deixe em paz. Pensava ele.
Mas apesar de tudo, lhe faltava a coragem necessária para colocar um ponto final naquela relação que para ele, tinha se tornado um fardo. Tinha um sentimento de pena e no final das contas, não lhe queria mal.
O comodismo havia se instalado na vida daquele casal que no final das contas, pareciam não ter mais motivo algum para continuarem juntos. Ele, a qualquer momento arranjara desculpas para não permanecer em casa. Não tardou a começar a se interessar por outras mulheres, chegando cada vez mais tarde em casa. E Marjorie cada vez mais, afundava na amargura de seu inexorável destino.
Marjorie por vezes lamentava não dar aos seus sentimentos a expressão violenta que eles exigiam. Possuía um excepcional auto-controle, pois partia da idéia que somente mulheres de baixo calão faziam cenas e barracos.
No entanto, Marjorie era extremamente obcecada pelo marido. Não imaginava a vida longe daquele homem. O amor por ele superava o seu amor-próprio. Pensava que toda aquela situação passaria com o tempo; que se tratara de uma fase típica de casais; que o casamento não é feito apenas dos bons momentos e que o verdadeiro amor reside no fato de ter força para superar os momentos ruins; e outras lenga-lengas do gênero.
Chegara o aniversário de três anos de união. Ele obviamente não se lembrara. Mas ela não perdia a chance e a esperança de tentar reconquistá-lo, ou na melhor das hipóteses, comovê-lo.
Nesta noite os dois viveram um efêmero estado de intimidade. Um estado de relações repleta de uma singular falsidade.
Entretanto, o descaso dele falaria mais alto. Como não lembrara-se da data, já havia marcado um compromisso o qual não desmarcaria por conta da ocasião, deixando Marjorie sozinha no decorrer da noite.
Parecia o fim; a gota final; e Marjorie parecia realmente disposta a largar esta vida de amargura. Pegou uma mala e começou a jogar alguns pertences dentro. Mas no decorrer da arrumação pôs-se a pensar: Para onde iria? Como se sustentaria? Com quem contaria? Não possuia emprego, nem muitas experiências. Seus pais não moravam na cidade e também não poderiam ajudá-la naquele momento. Viu-se sozinha, num vácuo e pensou que já era ruim com ele, pior seria sem. Acabou por esvaziar a mala e a guardá-las novamente.
Voltou portanto, a representar a farsa que era o seu casamento.
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